06.08.07
Quanto custa um smartphone?
Quanto será que custa um smartphone na moeda corrente de um casado?
O Dia dos Pais está chegando. Então, como toda família normal, no fim de semana, fomos procurar um presente. Decidi-me por um telefone celular. O meu anda falhando, meu filho de dez meses o adora, principalmente quando toca o alarme de manhã, então, o celular não está resistindo muito. Fui para escolher um novo.
Vi um de R$ 72, ele tinha instruções faladas, isso mesmo, ele ia dizendo o que você tinha que teclar para fazer o quê. Muito fácil, como esse seria meu sétimo celular, a opção de não ter que ler o manual era a mais tentadora de todas. Porém, seu monitor não era dos melhores, e como utilizo muito as mensagens SMS, o monitor se torna importante. As letras eram enormes, a mensagens aparece corrida e não com quebras de linhas. Isso me fez desistir desse modelo, ele deve ter sido planejado para quem possui deficiência visual, deduzi. Olhei outro de R$ 99. Ele não tinha instruções em voz, mas o monitor era colorido e a mensagem aparecia no monitor com letras do tamanho normal e quebra de linhas. Gostei dele, mas havia muitos outros para serem vistos.
A vendedora me mostrou um celular com FM que custava R$ 250. Ele era bonito, mas lembrei que esse é justamente o preço do conserto da minha máquina de lavar roupa, que há tempos já está me pedindo atenção. E outra, com R$ 1,99 eu compro um radinho FM. Vi outro, parecia simples, mas já tinha câmera fotográfica e MP3 player. Legal, adoro música e foto, tudo isso em um celular parecia perfeito. O preço, R$ 400, já não me parecia ta perfeito. Fiquei pensando no fogão novo que estou planejando comprar. Com esse valor compro um novinho em folha com acendimento automático e talvez, autolimpante, daqueles branquinhos, que ia até clarear a cozinha de casa. Como a minha curiosidade e a vontade de fechar negócios da vendedora não têm limites, parti para os Smartphones. Uau, realmente um desbunde. MP3, fotos, vídeos, som e mais um monte de coisa que demoraria meses até eu aprender como funcionam. Neles eu poderia fazer meus textos, acessar a internet, quem sabe até postar no meu blog pelo celular. Aí, como sempre, vem a parte chata, o preço. Mais de R1.000 à vista, ou de graça no plano pós-pago. Caramba, era o preço de uma geladeira. Pode até ser que ele tenha mais funções que uma geladeira, mas será que essas funções me serão mais úteis? Meu trabalho e meus textos podem ser feitos com um bloquinho e um lápis, ou no meu computador mesmo, como já venho fazendo. O telefone é portátil, mas no meu ponto de vista, a geladeira ganha. Isso mesmo, pois ela fica quieta em casa, não preciso carregar ela no bolso, atender no trânsito, num assalto no meio da rua não me levam a geladeira e também não tem como esquecê-la dentro do táxi ou na mesa do bar. Com certeza eu prefiro a geladeira. Fui me informar sobre o plano pós-pago. O Smartphone era de graça, mas eu teria que assinar o plano 200, 300 ou 500 minutos por um ano, dependendo de quanto esperto era o aparelho, descobri que esse “smart” não era por acaso. Eu, que mal gasto meus R$ 20 do pré-pago no mês, teria que inventar centenas de minutos de assunto por mês para fazê-lo valer a pena. E que pena, imagine o valor da conta? Tudo isso, para ter o aparelho “de graça”. Desgraça, talvez. A conta seria a parcela de um carro que tanto corro atrás. Não era pra mim esse tal de Smartphone, não que eu seja religioso, ao contrário disso, mas essa promoção me soava como: “você ganha o aparelho e nos dá a sua alma”. Mesmo que eles achem que a minha alma não tenha muita utilidade, prefiro não me desfazer do que é meu. Depois de duas horas vendo celulares, voltei para a casa com o modelo simples, com as funções que me eram úteis e que me custou apenas R$ 99, conforme dizia no anúncio.
- Luiz Henrique Nascimento 06/08/2007

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criado por ze_embras
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