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Esse exercício foi feito na sala de aula durante a oficina literária. Com uma das mãos você segurava a mão de outra pessoa e com a outra escrevia seu texto em 40 minutos. Depois de uma discussão em aula, fiz alguns ajustes no poema e segue abaixo o resultado.
Apoio
O que te aproxima
seja com muito
ou pouco medo?
O que te torna forte
possível e presente
Quando por perto?
Alguns precisam de apoio
Outros de aplausos
Mas muitos precisam
de um porto
O que me apóia agora
É a brincadeira sob o pé de amora
Com a criança que ri e não chora
Pois não sabe o que a espera
Por de traz da porta
Porém, a passagem pela porta
Faz parte do aprendizado
De uma vida repartida
Entre tropeços e apoios
- Luiz Carioca
Teor intransigente
Intransigente e ousado
Ele invadia a escola
Incapaz de deter as crianças
Tirava o fôlego dos adultos
Em meio a tanta combustão
As árvores não faziam diferença
Apenas ele e seu teor natural
Intransigente e ousado
Intransigente e ousado
Embebia todo o ar
Em liberdade, cercava a todos
Estava nos gestos e nas roupas
Saia de dentro das bocas
Intransigente e ousado
Era intransigente e ousado
E ainda hoje quando me lembro
(acostumado a cheirar fumaça)
Como um viciado, sinto falta dele
Intransigente e apagado
O exercício
Esse é um dos exercícios propostos. O objetivo era utilizar metáforas e descrever um cheiro que marcou a infância. No meu caso, tentei passar a sensação do cheiro que marcou minha infância, a do tabaco. Isso mesmo, a escola que estudei meus primeiros anos era vizinha de muro com a Souza Cruz, fábrica de cigarros. No começo achava horrível, mas passei a gostar do cheiro do cigarro apagado que empregnava em roupas, materiais etc, só não gosto muito é do cheiro do cigarro aceso.
Sei que ainda há pontos a melhorar no poema, ele ainda não foi comentado em aula, mas seu projeto já está aí.
o ressentido
transforma sua raiva em pedra
a amarra no pé e a arrasta por toda a vida
o revoltado
transforma sua raiva em pedra
faz dela uma arma e parte para a luta
sorte de quem não carrega pedras nessa vida
- Luiz Carioca
Abaixo, a resposta do poeta chinês do século VIII, Han Yu
“Tudo ressoa, mal se rompe o equilíbrio das coisas. As árvores e as ervas são silenciosas: se o vento as agita, elas ressoam. A água está silenciosa: o ar a move, e ela ressoa. As ondas mugem: é que algo as oprime. A cascata se precipita: é porque falta-lhe solo. O lago ferve: algo o aquece. Os metais e as pedras são mudos, mas ressoam se algo os golpeia. Assim também o homem. Se fala, é porque não pode conter-se. Se se emociona, canta. Se sofre, lamenta-se. Tudo o que sai de sua boca em forma de som se deve a um rompimento do seu equilíbrio... A palavra é o mais perfeito dos sons humanos; a literatura, por sua vez, é a mais perfeita forma de palavra. E assim, quando o equilíbrio se rompe, o céu escolhe entre os homens os que são mais sensíveis e os faz ressoarem.”