| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2 | 3 | ||||
| 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 |
| 11 | 12 | 13 | 14 | 15 | 16 | 17 |
| 18 | 19 | 20 | 21 | 22 | 23 | 24 |
| 25 | 26 | 27 | 28 | 29 | 30 |
esse é um poema ainda não acabado, mas já é possível enxergar seu projeto. Talvez eu traga novas versões com o desenvolvimento dele.
Novo Prometeu
Não pedirei benção aos deuses
se eu quiser falar de amor
Será preciso um novo Prometeu
para provar que assim como o fogo
o amor é tão mortal quanto eu?
O amor materno ou de amante
o amor maduro ou infante
são todos frutos do coração humano
não brotam na alma
nem em qualquer outro plano
O amor é da carne
daquela que arde
e sente saudade
Já a alma, é plena por si só
ela não morre de amor
pois não veio do pó
O amor não é assunto da alma
não é criação dos céus
tampouco dos deuses
O amor nasceu na terra
é a oportunidade de algo certo
na vida de quem erra
- Luiz Carioca
Cabelo Escorrido
O cabelo dela é escorrido
Parece um escorregador
Escorrega elástico
Escorrega presilha
Escorrega até o prendedor
E a mamãe está sempre de olho
Pra não aparecer piolho
Nesse escorregador
O boneco beiçudo
Ninguém brincava
Com o boneco beiçudo
Ele ficava no berço
Longe de tudo
Até que um dia
Caiu o cabelo
Da boneca amarela
E ela ficou careca
Ela foi pro berço
Ao lado do beiçudo
Eles fizeram amizade
Brincaram tanto
Que o cabelo dela
Cresceu de verdade
Hoje no berço
Tem um boneco beiçudo
Que brinca todo dia
Com a boneca amarela
- Luiz Carioca
Com 26 anos, estou me preparando para ser pai novamente. Sou pai de uma mulher linda e independente de 3 anos e agora tem um rapaz a caminho, mais um torcedor do Flamengo. Acho que todo esse clima me influenciou e acredito que até tenha mudado um pouco meus planos literários para o futuro.
Cão amigo
O cão corre
Caça e coça
Cata pulga
E late na carroça
O cão não pára
Pega a bola
Fura a bola
Corre pra fora
O cão é danado
Pega o rato
Morde o chinelo
Bate no gato
O cão também é amigo
Balança o rabo
Só pra brincar
Um pouquinho contigo
- Luiz Carioca
On the Road – Jack Kerouac
Pg 223
Na primavera de 1949, tinha alguns dólares economizados dos cheques da minha bolsa de estudos do governo e fui para Denver, pensando em me estabelecer lá. Imaginei-me no centro da América, um patriarca. Fiquei sozinho. Ninguém estava na cidade – Babe Rawlins, Ray Rawlins, Tim Gray, Betty Gray, Roland Major, Dean Moriarty, Carlo Marx, Ed Dunkel, Roy Johnson, Tommy Snark, ninguém. Perambulei pela Curtis e pela Larimer, trabalhei uns tempos nos mercados atacadistas de frutas onde quase fora contratado em 1947 – o trabalho mais árduo da minha vida; à certa altura os garotos japoneses e eu tivemos de empurrar um vagão inteiro uns trinta metros pelos trilhos usando uma espécie de alavanca que o fazia mover-se, gemendo, uns poucos centímetros a ada puxão. Arrastei caixotes de melancia pelo piso gelado de vagões-frigoríficos, espirrando sob o sol ardente. Em nome de Deus e sob as estrelas, para que?
Ao pôr-do-sol eu passeava. Me sentia como um grão de areia na face desta terra triste e avermelhada. Cruzei pelo hotel Windsor, onde Dean Moriarty morara com o pai nos depressivos anos 30 e, como outrora, procurei o deplorável e lendário funileiro das minhas visões. Ou você encontra alguém que se parece com seu pai em lugares como Montana ou então procura pelo pai de um amigo onde ele já não está.
Num entardecer lilás caminhei com todos os músculos doloridos entre as luzes da 27 com a Welton no bairro negro de Denver, desejando ser um negro, sentindo que o melhor que o mundo branco tinha a me oferecer não era êxtase suficiente para mim, não era vida o suficiente, nem alegria, excitação, escuridão, música, não era noite o suficiente. Parei num pequeno quiosque onde um homem vendia chili apimentado em embalagens de papel; comprei alguns e comi percorrendo ruas escuras e misteriosas. Desejando ser um mexicano de Denver, ou mesmo um pobre japonês sobrecarregado de trabalho, qualquer coisa menos aquilo que eu tão aterradoramente era, um “branco” desiludido. Durante toda a minha vida, tivera ambições de branco: fora por isso que abandonara uma boa mulher como Terry no vale de San Joaquim. Passei pelos portais escuros das casas dos mexicanos e dos negros; por ali ecoavam vozes amenas e, ocasionalmente, podia-se cvislumbrar até o joelho moreno de alguma garota enigmática e sensual, ou rostos sombrios de homens por trás das roseiras. Criancinhas sentavam-se como sábios em antigas cadeiras de balanço. Um grupo de negras foi se aproximando e uma das mais jovens destacou-se das anciãs de aspecto maternal e dirigiu-se rapidamente a mim – “Alô, Joe” – e de repente viu que eu não era Joe, e recuou, enrubescendo. Desejei se Joe. Mas era apenas eu, Sal Paradise, melancólico, errando nessa escuridão violeta, naquela noite insuportavelmente encantador, desejando poder trocar meu mundo pelo dos alegres, autênticos e extasiantes negros da América.
Esse é um trecho que gosto muito. Um pouco melancólico, mas o livro não segue esse ritmo, pelo contrário, é bem movimentado e cheio de personagens exêntricos.
O On the Road é considerado a bíblia dos beatnicks. É ótimo para quem curte literatura alternativa e mais moderna.
- Luiz Carioca