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Essa é uma pequena amostra do resultado da oficina literária que fiz. Em alguns minutos analisando uma poesia antiga, a qual eu gostava muito, fiz alguns ajustes. Não são finais, acredito que tenho que trabalhar mais nela, mas de início já se pode notar uma grande diferença em ritmo, divisão de idéias e estrofes.
1ª versão (por volta do ano 2000)
UMA MULHER DE VERDADE
Que se afastem as cinderelas
Quero uma mulher de verdade
De seios fartos e fortes
E que não tema a realidade
Uma mulher que me apaixone com apenas um sorriso
E que me complete naquilo que for preciso
Que ela esteja sempre linda e vistosa
E saiba que é gostosa
No mais quero uma mulher que tenha por mim
Um amor sem fim
Sei que quero uma mulher perfeita
Uma mulher que desconheço
Só não sei se a mereço.
2ª versão
MULHER DE VERDADE
Que se afastem as cinderelas
quero uma mulher de verdade
de seios fartos e fortes
e que não tema a realidade
Quero uma mulher
que me apaixone com apenas um sorriso
e me complete no que for preciso
Quero uma mulher apaixonada
que em seu amor não me falte
ou sobre nada
Sei que desejo uma mulher perfeita
uma mulher que desconheço
só não sei se a mereço
- Luiz Carioca
O multiplicador de signos
caminha na estrada real de Gutemberg.
- Carlos Drummond de Andrade. Trecho do poema "O trabalho em verso"
Pedro
Pedro pega o pé
bate pé com pé
bate pé na mão
Pedro
pé na boca não
- Luiz Carioca
MORRO
Morro de inveja dos universitários ociosos
Morro de nojo dos doutores, do branco impecável
Morro de vontade de ver a modelo sem roupas
Morro de curiosidade de saber para que servem os nós de gravata
Morro de ódio dos carros que não me deixam atravessar
Todos os dias
Lavo o meu patuá
E o deixo secar ao sol mirim
No alto do morro
Para continuar vivendo
- Luiz Carioca
Eu
primitivo
cativo
primata
em conflito
comigo
com pêlos
nas partes
e a pena
na mão
Eu
primitivo
ainda vivo
primata
pelado
peludo
perdido
no mundo
Eu
primitivo
por instinto
primata
libertino
com peito
de pedra
e pau
a pique
descoberto
livre
Eu
primitivo
oprimido
primava
por algo
contido
agora
penso,
logo extinto
- Luiz Carioca