Brechó do Carioca

Poesias, cotidiano, música, arte em geral, filosofia, desabafos e um pouco de política.

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Terra Blog

Arquivo de: Janeiro 2007, 25

25.01.07

Correndo atrás do prejuízo

 

O despertador toca, são 4h30, quase não acredito, mas levanto. Nos últimos dias segui uma vida de “Carga Pesada”, este era o último dia, mais algumas horas na estrada e de ônibus e então poderia descansar em casa. Peguei o ônibus às 5h30 e desci às 6h30 em São José dos Campos. O ônibus para Campinas só sai às 7h. São 30 minutos para comprar minha passagem tranqüilo. Ao consultar meu bolso, vi que faltavam 5 reais para o total da passagem. Caminhei sem pressa para o caixa eletrônico. Quando vejo, o caixa não está funcionando. Foi aí que percebi que a viagem não seria tão tranqüila.


Fui ao guichê e perguntei se não aceitavam cartão de débito, afinal, ninguém mais anda com dinheiro no bolso. Nada. Não aceitavam nenhum cartão nem cheque. Esperei mais um tempo para que alguma luz descesse sobre o caixa eletrônico, fui lá, e nada. Me lembrei de um conselho que li numa entrevista de um mochileiro que viajou o mundo inteiro, “quando for pedir algo, sorria sinceramente e olhe nos olhos”. Foi o que fiz, pedi ajuda no guichê e informei minha situação. Com um sincero olhar de “foda-se”, o rapaz me respondeu de forma ensaiada, “não há nada que eu possa fazer por você”. Parecia haver um certo prazer naquela empresa de ônibus em ferrar as viagens das pessoas.


Sem muito o que fazer, perguntei aos taxistas se havia algum caixa eletrônico por perto. Um senhor se dirigiu a mim e disse “Se quiser te levo no centro, ida e volta dá uns 10 minutos, e custa uns 10 reais”. Analisando todas as minhas opções resolvi ir. No centro da cidade tentamos duas agências e nada, as agências 24h estavam de folga bem naquele dia. Tentei apelar para um posto de gasolina, eu faria e débito e eles me dariam o dinheiro. Pra que ajudar alguém? Vi mais um montes de sinceros olhares de “foda-se”, um dizendo que estava sem nada e outro que o débito caia direto na central, por isso não poderia me dar dinheiro algum.


Finalmente encontrei um shopping na beira da Dutra, tudo isso rodando de táxi. Lá o caixa era realmente 24h. Saquei o dinheiro do ônibus e do táxi e fui em direção à Dutra, pois o ônibus já devia ter saído da rodoviária. Da marginal avistei um ônibus, era ele, rumo a Campinas. Parei o táxi no meio da marginal, paguei o devido e corri para o ônibus. Finalmente um lance de sorte no dia, consegui pegar o ônibus.


Após tanto tempo, literalmente correndo atrás do prejuízo com taxímetro e tudo, eu estava a caminho de casa. Pensando de forma pessimista, meu dia começou uma lástima e mais, ele ainda podia piorar. Já com um olhar otimista, pode-se dizer que dei sorte em encontrar esse taxista tão paciente, que no fundo me ajudou pra caramba e eu nem ao menos tive tempo de perguntar o seu nome.


- Luiz Carioca 25/01/2007

 

  • criado por  ze_embras criado por ze_embras
  • Postado em 10:40:57