Brechó do Carioca

Poesias, cotidiano, música, arte em geral, filosofia, desabafos e um pouco de política.

Brechó do Carioca

Poesias, cotidiano, música, arte em geral, filosofia, desabafos e um pouco de política.
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Arquivo de: Abril 2007

28.04.07

PRIMEIRO DE MAIO

categorias: Social, Notícia

1º DE MAIO – DIA DE LUTO! DIA DE LUTA!

Em 1º de Maio de 1886, na cidade norte-americana de Chicago, teve início uma Greve que reivindicava a jornada de trabalho de 8 horas. Naquela época, trabalhava-se até 16 horas por dia. A greve continuou até que, no dia 3 de maio, houve confronto com a polícia. Foram feridos e mortos trabalhadores da fábrica McCormicks. No dia seguinte, milhares de trabalhadores reuniram-se em um gigantesco comício de protesto contra a violência e a injustiça.

Quando o comício estava chegando ao fim, uma bomba foi lançada e, ao explodir, matou 6 pessoas e feriu dezenas. Em seguida, os policiais abriram fogo contra os presentes, vitimando homens, mulheres, crianças, velhos. Foram presos e acusados de liderar o movimento os trabalhadores anarquistas Samuel Fielden, Michael Schwab, Oscar Neebe, Adolf Fischer, Albert Parson, August Spies, George Engel e Ludwing Lingg.

O processo de julgamento foi marcado por irregularidades, com testemunhas e provas falsas para incriminar os líderes. As condenações foram: Schwab e Fielden, prisão perpétua; Neebe, 15 anos de detenção; Fischer, Parson, Spies, Engel, forca; e Lingg, suposto suicídio.

Após as execuções, o movimento internacional de trabalhadores decidiu que o 1º de maio deveria ser um dia de luta e de luto em memória dos operários assassinados nos Estados Unidos. E hoje, 121 anos depois, o que recordamos desse passado de lutas?

Para garantir seus altos lucros, os empresários procuram acabar com os direitos adquiridos nos últimos 100 anos de luta dos trabalhadores. Já conseguiram aumentar a idade para alcançar a aposentadoria e estão acabando com a segurança dos trabalhadores, atacando direitos como 13º salário, férias, entre outros.

Enquanto isso, na calada da noite, políticos que dizem representar o povo brasileiro aumentam seus salários, criam aposentadorias vitalícias e integrais, conseguem recursos para financiar seus “currais eleitorais”, entre outras regalias. Tudo isso é possível pelo suor de quem trabalha.
Partidos, vereadores, deputados, senadores, prefeitos, governadores, presidente, o que têm feito para resolver os problemas da população?  Além dos discursos, nada surge no horizonte que possa garantir e ampliar direitos dos trabalhadores e desempregados.

 Frente a essa situação, temos que reagir! O primeiro passo é dizer não aos políticos! É buscar a auto-organização dos trabalhadores e desempregados! Apenas com uma sociedade socialista de base anarquista – sem o Estado - conquistaremos uma vida mais digna no presente e no futuro, onde todos participem e decidam diretamente na política!

À LUTA, TEMOS MUITO O QUE FAZER!

FENIKSO NIGRA
  • criado por  ze_embras criado por ze_embras
  • Postado em 23:42:48

20.04.07

A individualidade dos pais


Muitas pessoas dizem que não querem ser pais por medo de perderem a sua liberdade e sua individualidade. Respeito a opção de não querer ter filhos, mas desconfio desse medo de perca de individualidade. Talvez essa seja uma maneira de se pensar muito a curto prazo, se esquecendo que independente da academia, do botox, da grana, um dia a casa cai. E quando a casa cair, o que restará? Aí surgiram os que desejam mesmo manter uma individualidade além da exterior, de ser bonito e bem sucedido. Existem os que querem mesmo se desenvolver intelectualmente, cultivar uma visão única e particular do mundo até seu último dia de vida. Mas esses não temem perder a individualidade em nome de emprego, balada ou sexo, e eles eu respeito.


Eu confesso que perdi muito da minha individualidade. Aos 27 anos sou pai de 2 crianças. Talvez perdi mais do que devia. Mas me vendo hoje e olhando para trás penso: será que minha vida era tão útil que eu deveria preservá-la única e exclusivamente pra mim? Será que minha individualidade me levava a algum desenvolvimento? Pensando assim, não me arrependo de nada. Hoje vejo no que me tornei. Menos individualistas, e quem me conhece sabe que a minha especialidade era ser individualista. Me tornei alguém mais útil, mais decidido, mais solidário e principalmente responsável. Perdi parte da minha individualidade, mas acredito que passei para uma nova fase do desenvolvimento humano, que só conhece quem abre mão de um pouco da sua individualidade.
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  • Postado em 17:26:23

12.04.07

COSTURA

categorias: Literatura, Arte

COSTURA

a costura abriu
dá pra ver um buraco
quando levanto meu braço
nessa vida apertada
suja e mal passada


os sonhos
costurados à mão
nunca ficam iguais
aos da revista
os meus
precisam sempre
de bainha


Luiz Carioca 12/4/07
  • criado por  ze_embras criado por ze_embras
  • Postado em 11:38:39

04.04.07

RASCUNHOS FILOSOFICOS

categorias: Filosofia
Quanto maior é a intimidade entre duas pessoas, maior é a expectativa por uma resposta já esperada para um determinado estímulo. Quando a resposta não corresponde ao esperado, gera insatisfação, o que desperta a intolerância. Mas será que a intolerância cresceu nos últimos anos? De onde vem a intolerância? Será que a modernidade tem algo em comum com a intolerância?

Uma breve separação dos graus de intimidade
- conjugal
- familiar (paternal ou maternal)
- familiar (irmão)
- amizades com vínculo
- cotidiana (ambiente de trabalho)
- distante (pessoas distantes ou personalidades)
- desconhecidos

A automação e o imediatismo são fatores responsáveis pelo aumento da intolerância na atualidade. Numa sociedade onde a velocidade das respostas e estímulos é enorme, os relacionamentos mais duradouros se mostram prejudicados. Um homem de negócios precisa de respostas e apontamentos naquele instante e os recebe todos seja via satélite ou on-line. Os meios de comunicação não somente prejudicaram de certa forma a escrita formal (este é outro assunto que pode ser abordado mais à frente) como também a tolerância entre as pessoas. Até mesmo no ambiente de trabalho, é difícil encontrar relacionamentos, seja de colegas de trabalho ou de funcionário empresa com mais de dez anos. As respostas precisam ser rápidas, o retorno imediato, isso, em ambas as partes. Tanto o funcionário espera que o patrão atenda as suas necessidades ou reconheça seu valor imediatamente quanto o patrão necessita de resultados instantâneos. Isso faz com que esse relacionamento possa ser encerrado de uma hora para outra, quanto mais rápido melhor, pois é preciso seguir a ritmo do imediatismo.

Como os bens de consumo estão cada vez menos duradouros, a carência do ser humano aumenta. Os bens, não na ordem de consumo, mas na ordem de satisfação pessoal, realização do indivíduo, que seriam moradia, família e cultura, por exemplo, estão cada vez mais extintos, por não corresponderem ao imediatismo do indivíduo. Com isso, os bens de consumo entram na vida do indivíduo para preencher essa lacuna. E para preencher essa lacuna é preciso comprar um carro a cada ano, um celular novo a cada seis meses e assim por diante.

Voltando ao relacionamento patrão empregado, uma resposta errada a um determinado estímulo pode encerrar uma carreira de anos. Um novo indivíduo, formado e doutrinado com as respostas pretendidas é colocado no lugar do antigo. O costume desses padrões de concorrência e efemeridade, torna a intolerância inerente ao ser humano. Que acaba o levando para dentro de casa em relações íntimas. É por isso que um casal normalmente não resiste a uma crise. A concorrência e efemeridade também se encontra no campo subjetivo do amor. Não é preciso tolerar um ser em igual patamar social, ou quem sabe abaixo, no caso de um homem em uma sociedade machista. É preciso encontrar um novo indivíduo que dê as respostas que eu desejo para os meus estímulos.

Essa automatização tecnológica, quando levada para o campo da vida, torna-se fatal para as habilidades de diálogo, raciocínio e reflexão do homem. Até mesmo porque quando ele é o substituído, dificilmente se questiona, dialoga ou reflete sobre as condições que o levaram a tal situação. A intolerância como disse anteriormente se torna inerente ao ser humano, mas não se engane, a tolerância também. Pois é daí, que os de maior prestígio social ou monetário se aproveitam de seus privilégios. Eles possuem o privilégio de serem intolerantes e ao mesmo tempo devem ser tolerados, como se fossem donos de uma verdade dentro de seu contexto. Nessa definição de privilegiados podemos incluir sacerdotes religiosos, políticos, patrões, classes abastadas, artistas e celebridades. Outro fato que contribui para o aumento da intolerância dessas pessoas, é a distância que elas mantêm de pessoas comuns. Quantas pessoas você conhece que têm coragem de discutir, desafiar ou brigar com um desconhecido na rua.

Nessas linhas, não defendo que casamentos, mesmo infelizes, devem continuar, e que isso exterminaria a intolerância da face da Terra. Eu acredito que os casamentos infelizes, mesmo os extintos, devem gerar diálogo, raciocínio e reflexão. Pois essas três habilidades, ao meu ver, são fundamentais para a vida do ser humano. Nietzsche dizia que a angústia é um sentimento positivo, pois leva à reflexão. É essa reflexão que acredito ser a maior arma do ser humano contra não somente a intolerância como também contra a tolerância. Quando em seus direitos, lute, seja com um patrão, celebridade ou desconhecido, pois a tolerância também pode se transformar em submissão. E, acredito eu, que quanto menor a reflexão do ser humano, mais a Terra se divide em grupos de intolerantes que se enxergam como dominantes e tolerantes que se portam como submissos.


luiz carioca 29/3/2007 - sem revisão.
  • criado por  ze_embras criado por ze_embras
  • Postado em 20:10:21

GOL MIL


  • criado por  ze_embras criado por ze_embras
  • Postado em 19:18:08