Brechó do Carioca

Poesias, cotidiano, música, arte em geral, filosofia, desabafos e um pouco de política.

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Terra Blog

Arquivo de: Julho 2007, 15

15.07.07

Crônica de bom dia

categorias: Literatura

Acordei e fiquei parado em frente a TV até acordar. Isso me encheu, vi que poderia escrever algo interessante, meu dia tinha que começar logo. Fui ao banheiro para me aliviar, escovei os dentes e quase esqueci de lavar as mãos, mas as lavei, escrevo agora de mãos limpas. Não tomei banho ainda, deixei para depois, queria escrever logo. Vinicius de Moraes me condenaria, como um carioca deixa para trás sua chuveirada matinal, nada acontece antes dela. Talvez ele me perdoe se eu escrever algo bom.

Minha esposa e meu filho viajaram, fiquei sozinho. Não gostei da companhia das propagandas na TV. Me irritei e coloquei um DVD. Me senti melancólico ouvindo Joe Cocker, ele bebia cerveja e eu leite, isso não é justo. Talvez eu precise mesmo é da companhia burra da TV, voltei para as propagandas e clipes de pop music. Passei a tratar a TV como minha lareira eletrônica, como dizia John Lennon. Vi meus e-mails e um professor universitário responde sobre minha poesia. Enviei a ele um e-mail com um poema e várias dúvidas. Como sempre os acadêmicos são enigmáticos, li duas vezes a resposta e não sei até agora se ele gostou ou não do meu poema. Ele me respondeu dos Estados Unidos onde está para visitar os pais. Esse é um fator que encarei como positivo, se realmente ele não gostasse, meu e-mail ficaria perdido pelos states, mais um latino americano clandestino, ilegal e perdido por lá. No fim do e-mail ele disse que podemos marcar um almoço para conversarmos melhor. O que encaro como outro ponto positivo, eu não gostaria nem de ver a cara de um poeta ruim que me incomoda na visita aos meus pais. Chato tudo bem, mas ruim nunca. Acho que vou marcar um almoço, deve ser o melhor jeito de descobrir o que ele quis dizer no e-mail.

O telefone tocou, era um amigo, me convidando para ir ao cemitério. A causa é nobre, mas sou fraco. Hoje tem jogo da seleção brasileira. Ele mesmo me perguntou se faço questão de assistir, confesso que não faço tanta questão quanto se fosse um jogo do Flamengo, mas é a final da Copa América. Brasil e Argentina, acho que não resisto. Comprei até um provolone para fazer de aperitivo enquanto assisto ao jogo. Sou brasileiro e um admirador da Argentina. Tenho até um casaco, desse do tipo agasalho de atleta, com “Argentina” bem grande nas costas e um brasão no peito. Comprei mais por brincadeira, numa liquidação, o do Brasil era muito feio. E como muitos me dizem que tenho cara de argentino, comprei o da Argentina. Como se todos os argentinos tivessem cabelo grande e barba. A rivalidade é forte, as pessoas odeiam me ver com o casaco, confesso que comprei também pra provocar as pessoas. Muitos brasileiros odeiam os argentinos, conheci alguns hippies argentinos, um não valiam uma moeda, outros eram extremamente gente fina, quase fui-me embora para lá temporariamente. Isso sem falar da propaganda deles, bem melhor do que a nossa, seria uma companhia bem melhor agora, não perfeita, mas melhor. E o que falar de Borges e Che Guevara? Não posso senão admirar esse povo. Mas hoje vou estar com a camisa do Brasil, sou brasileiro, sou carioca pô. A argentina é favorita, mas estou confiante, acho que dessa vez o Brasil vai. O casaco vai ficar guardado no armário por umas duas semanas. Comprei-o de brincadeira, mas hoje o jogo é coisa séria e os torcedores de hoje em dia nunca estão para brincadeira.


- Luiz Henrique direto da cabeça sem revisão nem nada
Domingo de inverno com sol - 15/07/2007
  • criado por  ze_embras criado por ze_embras
  • Postado em 11:36:56