01.08.07
Anarquia, Propaganda e Poesia
Quem me conhece sabe que sempre gostei de separar certas coisas. Sou publicitário, poeta e anarquista. Parecem coisas incompatíveis, por isso, sempre tentei separar as coisas. Com amigos de trabalho, falo de propaganda, amigos de literatura, de livros, e anarquistas, de política.
Porém, por mais que eu separe, serei sempre um só. Com isso, sinto que perco força em todos os campos. Há algum tempo atrás fiz um poema que deixariam meus chefes de cabelo em pé, ele ficou guardado, só circulou entre meus amigos anarquistas. Me dividi, acredito que minha poesia perdeu força. A partir de hoje não me dividirei mais. Aplicarei todo meu potencial e minha força nessa fusão entre anarquia propaganda e poesia.
SAÚDE E ANARQUIA
O mesmo ódio à exploração
que brilha em meus olhos
também se faz nó
na sua garganta
posso ouvir o grito
por debaixo do seu sorriso
o ranger de seus dentes
tocam a mesma música
que ouço nas noites de frio
em nossos passos posso ver
uma marcha em busca de paz
saúde e anarquia
Não siga os patrões
derrube as cercas
destrua as engrenagens
da ordem e do progresso
que moem carne viva
salve a lua, recupere o luar
refém das máquinas
e da artilharia dos postes
arme-se de sonhos
saúde e anarquia
Quebre a direita
siga em frente
por cima da repressão
à esquerda, à esquerda
nas margens dos rios
de pensamentos rasos
semeie liberdade
saúde e anarquia
Siga reto
de cabeça erguida
apague as antigas velas
que derretem a verdade
olhe por cima dos altares
veja que o amor
vai além do próximo
é preciso espetar teu umbigo
e deixar vazar todo egoísmo
abrindo espaço para a igualdade
saúde e anarquia
- Luiz Henrique Nascimento
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criado por ze_embras
23:22:49