Brechó do Carioca

Poesias, cotidiano, música, arte em geral, filosofia, desabafos e um pouco de política.

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Terra Blog

04.04.07

RASCUNHOS FILOSOFICOS

categorias: Filosofia
Quanto maior é a intimidade entre duas pessoas, maior é a expectativa por uma resposta já esperada para um determinado estímulo. Quando a resposta não corresponde ao esperado, gera insatisfação, o que desperta a intolerância. Mas será que a intolerância cresceu nos últimos anos? De onde vem a intolerância? Será que a modernidade tem algo em comum com a intolerância?

Uma breve separação dos graus de intimidade
- conjugal
- familiar (paternal ou maternal)
- familiar (irmão)
- amizades com vínculo
- cotidiana (ambiente de trabalho)
- distante (pessoas distantes ou personalidades)
- desconhecidos

A automação e o imediatismo são fatores responsáveis pelo aumento da intolerância na atualidade. Numa sociedade onde a velocidade das respostas e estímulos é enorme, os relacionamentos mais duradouros se mostram prejudicados. Um homem de negócios precisa de respostas e apontamentos naquele instante e os recebe todos seja via satélite ou on-line. Os meios de comunicação não somente prejudicaram de certa forma a escrita formal (este é outro assunto que pode ser abordado mais à frente) como também a tolerância entre as pessoas. Até mesmo no ambiente de trabalho, é difícil encontrar relacionamentos, seja de colegas de trabalho ou de funcionário empresa com mais de dez anos. As respostas precisam ser rápidas, o retorno imediato, isso, em ambas as partes. Tanto o funcionário espera que o patrão atenda as suas necessidades ou reconheça seu valor imediatamente quanto o patrão necessita de resultados instantâneos. Isso faz com que esse relacionamento possa ser encerrado de uma hora para outra, quanto mais rápido melhor, pois é preciso seguir a ritmo do imediatismo.

Como os bens de consumo estão cada vez menos duradouros, a carência do ser humano aumenta. Os bens, não na ordem de consumo, mas na ordem de satisfação pessoal, realização do indivíduo, que seriam moradia, família e cultura, por exemplo, estão cada vez mais extintos, por não corresponderem ao imediatismo do indivíduo. Com isso, os bens de consumo entram na vida do indivíduo para preencher essa lacuna. E para preencher essa lacuna é preciso comprar um carro a cada ano, um celular novo a cada seis meses e assim por diante.

Voltando ao relacionamento patrão empregado, uma resposta errada a um determinado estímulo pode encerrar uma carreira de anos. Um novo indivíduo, formado e doutrinado com as respostas pretendidas é colocado no lugar do antigo. O costume desses padrões de concorrência e efemeridade, torna a intolerância inerente ao ser humano. Que acaba o levando para dentro de casa em relações íntimas. É por isso que um casal normalmente não resiste a uma crise. A concorrência e efemeridade também se encontra no campo subjetivo do amor. Não é preciso tolerar um ser em igual patamar social, ou quem sabe abaixo, no caso de um homem em uma sociedade machista. É preciso encontrar um novo indivíduo que dê as respostas que eu desejo para os meus estímulos.

Essa automatização tecnológica, quando levada para o campo da vida, torna-se fatal para as habilidades de diálogo, raciocínio e reflexão do homem. Até mesmo porque quando ele é o substituído, dificilmente se questiona, dialoga ou reflete sobre as condições que o levaram a tal situação. A intolerância como disse anteriormente se torna inerente ao ser humano, mas não se engane, a tolerância também. Pois é daí, que os de maior prestígio social ou monetário se aproveitam de seus privilégios. Eles possuem o privilégio de serem intolerantes e ao mesmo tempo devem ser tolerados, como se fossem donos de uma verdade dentro de seu contexto. Nessa definição de privilegiados podemos incluir sacerdotes religiosos, políticos, patrões, classes abastadas, artistas e celebridades. Outro fato que contribui para o aumento da intolerância dessas pessoas, é a distância que elas mantêm de pessoas comuns. Quantas pessoas você conhece que têm coragem de discutir, desafiar ou brigar com um desconhecido na rua.

Nessas linhas, não defendo que casamentos, mesmo infelizes, devem continuar, e que isso exterminaria a intolerância da face da Terra. Eu acredito que os casamentos infelizes, mesmo os extintos, devem gerar diálogo, raciocínio e reflexão. Pois essas três habilidades, ao meu ver, são fundamentais para a vida do ser humano. Nietzsche dizia que a angústia é um sentimento positivo, pois leva à reflexão. É essa reflexão que acredito ser a maior arma do ser humano contra não somente a intolerância como também contra a tolerância. Quando em seus direitos, lute, seja com um patrão, celebridade ou desconhecido, pois a tolerância também pode se transformar em submissão. E, acredito eu, que quanto menor a reflexão do ser humano, mais a Terra se divide em grupos de intolerantes que se enxergam como dominantes e tolerantes que se portam como submissos.


luiz carioca 29/3/2007 - sem revisão.
  • criado por  ze_embras criado por ze_embras
  • Postado em 20:10:21
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